PESQUISA COM OS BENEFICIÁRIOS DO PROJETO DE PENAS ALTERNATIVAS

Este estudo teve origem no Projeto Penas Alternativas que o Instituto Noos desenvolveu entre 1999 e 2001, com o objetivo de contribuir para a prevenção/interrupção da violência intrafamiliar e de gênero contra a mulher.

A abordagem com homens autores de violência e mulheres vítimas de violência, nesse projeto, está imbuída de uma nova leitura de responsabilização-reflexão que busca ultrapassar a lógica simplista de culpabilização-punição. Para superá-la, realizamos grupos reflexivos de gênero com abordagem responsabilizante para os homens autores de violência intrafamiliar e de gênero e grupos reflexivos de gênero voluntários para as mulheres em situação de violência.

O objetivo geral da pesquisa foi o de dar continuidade ao acompanhamento do Projeto Penas Alternativas com o intuito de traçar um perfil dos homens autores de violência e das mulheres em situação de violência. Este perfil inclui não apenas dados sócio econômicos e demográficos como também histórico familiar de violência e situação atual no que tange a comportamentos e à ideologia.

A pesquisa pretende responder a diversas questões de interesse específico para o estudo da temática da violência intrafamiliar, possibilitando um melhor conhecimento e o planejamento e execução de ações que permitam a prevenção/interrupção do seu ciclo e a construção de relações familiares mais saudáveis.

Metodologias

Foi utilizada metodologia mista:

Pesquisa quantitativa: aplicação de questionário quando das entrevistas de recebimento no Noos dos homens e mulheres encaminhados pelos JECRIMs (e por outros órgãos) para participar dos grupos reflexivos. Parte deste questionário, relativa a comportamentos, ideologia e práticas no âmbito da sexualidade que parecem contribuir para a manutenção da relação, independente de sua qualidade, foi repetida ao final do trabalho de grupo para avaliação de possíveis mudanças de postura.

Pesquisa qualitativa: realização de grupos focais no início e no fim do período de trabalho nos grupos reflexivos de gênero.

Cabe ressaltar, ainda, que os resultados dessa pesquisa poderão ser comparados aos obtidos no Projeto-piloto implantado em 2000 e aos da Pesquisa Domiciliar que o Promundo e o Noos realizaram em 2001 em dois bairros do Rio de Janeiro, permitindo reflexões sobre grupos que se declaram autores de violência e grupos que não se declaram.

APOIO

Secretaria Especial de Direitos Humanos.