PESQUISA DE MAPEAMENTO DA REDE DE ATENÇÃO À VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR

Com este projeto, o Noos objetivou organizar um conjunto de informações geograficamente referenciadas sobre projetos, programas e instituições que prestem serviços à parcela da população que esteja envolvida em situações de violência no âmbito de suas relações familiares no município do Rio de Janeiro.

Estamos disponibilizando os resultados da pesquisa realizada inteiramente pela Internet, durante o ano de 2006, com o apoio do Sindicato das Empresas de Informática do Estado do Rio de Janeiro (SEPRORJ) e da LB Sistemas.

Parâmetros operacionais da pesquisa

  • Público-alvo: instituições governamentais e não governamentais envolvidas de alguma forma com a atenção às situações de violência intrafamiliar.
  • Área geográfica coberta: município do Rio de Janeiro.
  • Objetivos:
    • Construção de um cadastro das instituições envolvidas com a atenção às situações de violência intrafamiliar.
    • Disponibilização dos resultados referenciados por tipo de serviço e bairro.
  • Metodologia: Quantitativa com utilização de questionário para autopreenchimento on line.
  • Etapas operacionais cumpridas:
    • Consolidação de um cadastro inicial.
    • Elaboração de um questionário para preenchimento on-line e de um documento explicativo da pesquisa, dos conceitos nela utilizados e contendo instruções detalhadas para preenchimento.
    • Disponibilização do questionário on-line, para acesso através de uma senha.
    • Contatos com as instituições por e-mail e telefone para sensibilizá-las e motivá-las a participar da pesquisa.
    • Construção de um banco de dados categorizado.
    • Disponibilização do cadastro categorizado por bairro e por tipo de serviço, para livre acesso.


Violência

Foi utilizada a conceituação da Organização Mundial de Saúde (OMS) que define violência como "o uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação."

Tipologia da violência da OMS



A violência intrafamiliar é uma das duas subcategorias da violência interpessoal e está definida como aquela que "ocorre em grande parte entre os membros da família e parceiros íntimos, normalmente, mas não exclusivamente, dentro de casa" e inclui, além da violência entre os parceiros íntimos, os abusos contra crianças, adolescentes e idosos (Krug, 2002).

Natureza da violência

Ainda segundo a OMS, quanto à natureza, a violência pode ser classificada em:

  • Física
  • (exemplos: soco, tapa, empurrão, puxão de cabelo etc)
  • Psicológica
  • (exemplos: insulto, humilhação, ameaça etc.)
  • Sexual
  • (exemplo: obrigar a transar, submeter a carícias sexuais sem consentimento etc)
  • Privação / negligência
  • (exemplos: submeter a cárcere privado, não oferecer os cuidados necessários a crianças, adolescentes ou idosos).


O desenvolvimento da pesquisa

Ao longo do caminho muitas dificuldades foram enfrentadas, principalmente referidas ao acesso institucional à Internet; a questões hierárquicas internas às instituições gerando pouca autonomia das pessoas que se dispunham a responder ao questionário; à pouca disponibilidade de tempo das pessoas nas instituições para responderem ao questionário. Muitos esforços foram envidados no sentido de estimular a resposta e a pesquisa fechou o que consideramos a sua primeira rodada com 86 questionários preenchidos dos 212 que compunham o cadastro inicial.

Acreditamos que o acesso aos resultados obtidos na pesquisa servirá, por si só, para estimular as instituições que já responderam a manter atualizadas suas informações e aquelas que não responderam a participar daqui em diante mediante uma melhor compreensão dos objetivos da pesquisa.

Uma comunicação por e-mail será feita para todas as 212 instituições que pertenciam inicialmente ao cadastro fornecendo o link no qual podem acessar os resultados. Contamos com a colaboração de todas também para a divulgação junto aos usuários em potencial dos resultados.

Os resultados da pesquisa

Em primeiro lugar é importante ressaltar que as informações fornecidas a seguir expressam aquelas prestadas pelas instituições no questionário, restringindo-se a responsabilidade do Noos ao seu processamento e a divulgação. Em função de possíveis enganos ou mudanças com o passar do tempo, sugerimos que elas sejam sempre confirmadas por telefone antes de serem utilizadas.

Os resultados disponibilizados no momento estão organizados em três conjuntos distintos:

  • Cadastro das instituições - que responderam ao questionário com informações sobre nome, endereço, disponibilidade ou não de atendimento ao público e características desse atendimento quando ele existe. Acreditamos que este cadastro seja um instrumento facilitador para o acesso da população aos serviços, sendo acessado diretamente pelos interessados ou pelos profissionais que prestem um primeiro atendimento e necessitem referenciar o atendido a outros serviços complementares. Além do que, ao estimular o intercâmbio entre organizações locais, este cadastro estará viabilizando uma rede de instituições que prestam serviços a este público alvo, maximizando a eficácia desta atenção e articulando também a conexão entre pessoas que vivenciam a mesma problemática.

  • Conjunto de informações por tipo de serviço prestado e por bairro - que permitirão maior agilidade na localização da instituição mais adequada à necessidade do usuário. As informações que compõem este conjunto são as seguintes:

  1. Instituições que atuam com atendimento
  2. Instituições que atendem casos de violência física contra crianças (0 a 11 anos)
  3. Instituições que atendem casos de violência sexual contra crianças (0 a 11 anos)
  4. Instituições que atendem casos de violência psicológica contra crianças (0 a 11 anos)
  5. Instituições que atendem casos de privação ou negligência contra crianças (0 a 11 anos)
  6. Instituições que atendem casos de violência física contra jovens (12 a 24 anos)
  7. Instituições que atendem casos de violência sexual contra jovens (12 a 24 anos)
  8. Instituições que atendem casos de violência psicológica contra jovens (12 a 24 anos)
  9. Instituições que atendem casos de privação ou negligência contra jovens (12 a 24 anos)
  10. Instituições que atendem casos de violência física entre parceiros íntimos
  11. Instituições que atendem casos de violência sexual entre parceiros íntimos
  12. Instituições que atendem casos de violência psicológica entre parceiros íntimos
  13. Instituições que atendem casos de privação ou negligência entre parceiros íntimos
  14. Instituições que atendem casos de violência física contra pessoas idosas (60 anos e mais)
  15. Instituições que atendem casos de violência sexual contra pessoas idosas (60 anos e mais)
  16. Instituições que atendem casos de violência psicológica contra pessoas idosas (60 anos e mais)
  17. Instituições que atendem casos de privação ou negligência contra pessoas idosas (60 anos e mais)
  18. Instituições que atendem casos de violência física entre pessoas conhecidas
  19. Instituições que atendem casos de violência sexual entre pessoas conhecidas
  20. Instituições que atendem casos de violência psicológica entre pessoas conhecidas
  21. Instituições que atendem casos de privação ou negligência entre pessoas conhecidas
  22. Instituições que atendem casos de violência física entre pessoas estranhas
  23. Instituições que atendem casos de violência sexual entre pessoas estranhas
  24. Instituições que atendem casos de violência psicológica entre pessoas estranhas
  25. Instituições que atendem casos de privação ou negligência entre pessoas estranhas
  26. Instituições que atendem homens em situação de violência intrafamiliar
  27. Instituições que atendem mulheres em situação de violência intrafamiliar
  28. Instituições que atendem crianças em situação de violência intrafamiliar
  29. Instituições que atendem jovens em situação de violência intrafamiliar
  30. Instituições que atendem adultos em situação de violência intrafamiliar
  31. Instituições que atendem pessoas idosas em situação de violência intrafamiliar
  32. Instituições que atendem vítimas de violência intrafamiliar
  33. Instituições que atendem pessoas autoras de violência intrafamiliar
  34. Instituições que oferecem atendimento médico
  35. Instituições que oferecem atendimento jurídico
  36. Instituições que oferecem atendimento psicológico
  37. Instituições que oferecem assistência social
  38. Instituições que oferecem outros tipos de serviço relacionados à violência intrafamiliar
  39. Instituições que encaminham para atendimento psicoterápico individual
  40. Instituições que encaminham para atendimento médico especializado
  41. Instituições que encaminham para orientação e apoio jurídico
  42. Instituições que encaminham para atendimento psicopedagógico
  43. Instituições que encaminham para complementação educacional
  44. Instituições que encaminham para centros de recolocação profissional
  45. Instituições que encaminham para programas de geração de renda
  46. Instituições que encaminham para outros tipos de serviço

Tabelas com informações estatísticas sobre as instituições.

  1. Tipo de Instituição
  2. Tipos de profissionais atuantes
  3. Função do responsável pelo preenchimento do questionário
  4. Condições de infraestrutura das instituições
  5. Tipos de atuação das instituições
  6. Tipos de violência contra crianças atendidos pelas instituições
  7. Tipos de volência contra jovens atendidos pelas instituições
  8. Tipos de violência contra parceiros íntimos atendidos pelas instituições
  9. Tipos de violência contra idosos atendidos pelas instituições
  10. Tipos de violência contra pessoas conhecidas atendidos pelas instituições
  11. Tipos de violência contra pessoas estranhas atendidos pelas instituições
  12. Área geográfica de atuação das instituições
  13. Esferas de atuação das instituições
  14. Locais de atuação das instituições
  15. Atendimento das instituições segundo o sexo do demandante
  16. Atendimento das instituições segundo a idade do demandante
  17. Atendimento das instituições por posição na situação de violência
  18. Tipo de atendimento oferecido pelas instituições
  19. Condições de acesso aos atendimentos exigidas pelas instituições
  20. Custos dos atendimentos nas instituições
  21. Tipos de registro dos atendimentos nas instituições
  22. Tipos de divulgação dos registros dos atendimentos
  23. Participação das instituições em redes de instituições congêneres
  24. Interesse das instituições em participar de uma rede de atenção à violência intrafamiliar
  25. Interesse das instituições em integrar o cadastro de instituições que o Noos disponibilizará a partir da pesquisa
  26. Instituições que encaminham para atendimento psicoterápico individual
  27. Instituições que encaminham para atendimento médico especializado
  28. Instituições que encaminham para orientação e apoio jurídico
  29. Instituições que encaminham para atendimento psicopedagógico
  30. Instituições que encaminham para complementação educacional
  31. Instituições que encaminham para recolocação profissional
  32. Instituições que encaminham para programas de geração de renda
  33. Instituições que encaminham para outro tipo de atendimento


O conjunto de dados apresentado nas tabelas permite caracterizar as instituições que responderam à pesquisa segundo diversos aspectos:

  • Quanto ao tipo de instituição: prevalecem as gonernamentais sobre as não governamentais e, entre estas últimas, as municipais (42%). Considerando que o âmbito da pesquisa é o município do Rio de Janeiro, esta concentração já era esperada.
  • Quanto ao tipo de profissionais que atuam nessas instituições, considerando os psícólogos, os médicos, os enfermeiros, os advogados, os sociólogos e os assistentes sociais, predominam os psicólogos (72%), seguidos dos assistentes sociais (71%) e dos enfermeiros (34%).
  • Quanto à infraestrutura física, as instituições ainda deixam a desejar uma vez que nem o telefone fixo é um bem universal entre elas, ainda que seja o bem mais frequente (91% possuem), seguido pelo computador (87%). Vale ressaltar que, apesar da presença do computador nas instituições, apenas 74% delas têm acesso à Internet. Tal fato, como já foi visto acima, representou um dificultador para a pesquisa on line.
  • Quanto ao tipo de atuação das instituições, o serviço mais oferecido é algum tipo direto de atendimento ao público (71%), seguido por atividades de sensibilização (48%) e capacitação (47%). Os principais tipos de atendimento oferecido pelas instituições são o assistencial (43%) e o psicológico (42%).
  • No que se refere à faixa etária dos atendidos, há mais instituições atendendo jovens (61%) e crianças (49%) do que adultos e idosos (43% de cada).
  • Quanto à natureza da violência atendida pelas instituições, tanto no caso das crianças, como dos jovens, dos adultos e dos idosos, é a violência sexual que possui o menor número de instituições oferecendo atendimento. As violências física, psicológica e privação e negligência, têm um número equilibrado de instituições oferecendo atendimento.
  • Quanto ao tipo de inserção na situação de violência intrafamiliar, as vítimas têm mais instituições as quais recorrer (59%) do que os autores(as) (33%).
  • A cobertura dada pelo atendimento das instiuições é muito maior nas áreas urbanas do que nas rurais e a metade das instituições atende somente no mesmo município em que está localizada a sua sede, enquanto que 21% delas atendem também em outros municípios do mesmo estado no qual está localizada sua sede. O atendimento é mais frequentemente prestado na própria instituição (61%), seguido por aqueles que ocorrem em escolas (28%), domicílios (19%) e postos de saúde/ hospitais (17%).
  • Quanto às condições de acesso ao atendimento, 88% das isntituições oferecem gratuitamente e 10% a preços sociais. Na maior parte das instituições é suficiente procurar pessoalmente a instituição para ser atendido (53%).
  • Quanto à produção de informações, a grande maioria das instituições (73%) declarou que registra as informações relativas aos atendimentos, processa, analisa os dados e produz relatórios. E 46% das instituições declararam que disponibilizam estas informações quando demandadas.
  • A maior parte das instituições participam de redes com outras do mesmo tipo (66%) e já encaminha os usuários para outros serviços que não presta pessoalmente : 80% encaminham para atendimento psicoterápico individual, 76% para atendimento médico, 71% para atendimento jurídico, 52% para programas de geração de renda, 48% para atendimento psicopedagógico, 45% para complementação educacional e 43% para recolocação profissional.


Ficha Técnica da Pesquisa

Realização e execução: Instituto Noos
Responsável pela execução da pesquisa: Marina Sidrim Teixeira
Assistente de Pesquisa: Eduardo d'Avila
Apoio para a realização: